Estiagem reduz captação de água em Maricá e agrava falta de abastecimento em bairros da cidade

A falta de chuvas, aliada às altas temperaturas e ao aumento do consumo típico do verão, voltou a pressionar o sistema de abastecimento de água em Maricá. Segundo a concessionária Águas do Rio, devido à estiagem prolongada, a empresa está operando atualmente com apenas 25% da capacidade de captação de água bruta para envio às Estações de Tratamento de Água (ETAs) Ponta Negra e Maricá.
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Com isso, o abastecimento em partes do município encontra-se comprometido. Para minimizar os impactos, os distritos de Itaipuaçu e Inoã estão recebendo reforço no fornecimento por meio do Sistema Imunana-Laranjal. A expectativa, segundo a empresa, é que a situação seja normalizada com a chegada das chuvas previstas para os próximos dias.
Enquanto isso não acontece, a Águas do Rio informa que disponibiliza abastecimento alternativo por meio de caminhões-pipa e orienta os moradores a utilizarem a água de forma consciente, priorizando atividades essenciais e mantendo as reservas de cisternas e caixas d’água. A concessionária reforça que está à disposição da população pelo telefone 0800 195 0 195, para ligações gratuitas e mensagens via WhatsApp.
Problema antigo que se repete todo verão
Na prática, porém, a falta d’água tem sido uma realidade constante para muitos moradores — e não apenas nos últimos dias. Como mostrou o Maricá Info na última semana, há cerca de 20 dias bairros como Guaratiba, Barra de Maricá e Cordeirinho convivem com interrupções frequentes ou forte instabilidade no fornecimento.
Em Cordeirinho, a moradora Luandra relatou a dificuldade até mesmo para realizar tarefas básicas dentro de casa:
“Nós não conseguimos o básico, que é o básico mesmo, lavar uma roupa… Não. A água, quando vem, uma água miserável que mal sobe…”
A situação se torna ainda mais delicada para famílias com crianças pequenas. O morador Jonas Pereira contou que, mesmo com as contas em dia, precisou recorrer à compra de água para garantir o mínimo de higiene:
“Rapaz, é um absurdo. A gente paga a conta, conta não deixa de vir, né? E nós temos uma filha de dois anos, precisa, é, tomar banho com a água melhor, né? Tô tendo que comprar água de galão, água mineral pra dar banho. Você manda mensagem pra lá, eles só falam que, é, vai normalizar, vai normalizar e não normaliza. Já tem mais de vinte dias e não melhora. E a conta vem né? Cê tem que pagar a conta.”
Para Luandra, o problema deixou de ser algo pontual e virou parte da rotina de quem mora na região:
“Então assim, hoje nós estamos vivendo, é, algo que não é pontual, é rotineiro. Quando não falta em Cordeirinho, falta em Bambuí, quando falta em Bambuí, falta em Cordeirinho. A pergunta é pior: o que adianta colocar hidrômetro, cavar rua, forçar as pessoas terem um serviço de falta de abastecimento? Porque o que a gente tem é isso.”
Sem água nas torneiras, muitas famílias precisam improvisar, economizar cada gota e, em casos mais críticos, recorrer à compra de água mineral ou caminhões-pipa para atender às necessidades básicas do dia a dia.
Impacto vai além do transtorno doméstico
O problema não afeta apenas as residências. Em uma cidade que cresce rapidamente e recebe grande fluxo de visitantes no verão, a falta de água compromete também o funcionamento de hotéis, pousadas, hospitais, comércios, shoppings e novos empreendimentos, que dependem de uma infraestrutura básica eficiente para operar.
Em pleno verão, com a cidade cheia, Maricá segue convivendo com um problema essencial que insiste em não ter solução. Água não é luxo — é um serviço básico.
O que diz a concessionária
Por meio de nota enviada ao Maricá Info, a Águas do Rio informou que equipes técnicas estiveram na manhã desta segunda-feira (22) em ruas dos bairros mencionados e que foi constatado fornecimento de água nas localidades. A empresa solicita que os moradores informem as matrículas para verificação pontual das ocorrências.
Ainda segundo a concessionária, o município enfrenta um período de estiagem que provoca instabilidade no abastecimento. As equipes seguem monitorando o sistema e adotando medidas operacionais para minimizar os impactos aos clientes. A empresa reforça que permanece à disposição da população pelo telefone 0800 195 0 195, com atendimento gratuito por ligação ou WhatsApp.





