Atlas da Violência: veja quais são as cidades mais e menos violentas do Brasil, segundo levantamento nacional
O Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, alcançando a menor taxa de assassinatos dos últimos 11 anos, segundo dados do Atlas da Violência 2026, estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
De acordo com o levantamento, o país teve taxa de 20,1 homicídios para cada 100 mil habitantes, uma redução de 7,4% em relação ao ano anterior. O índice considera os registros oficiais de mortes violentas em todos os 5.569 municípios brasileiros.
O estudo é utilizado como uma das principais referências nacionais para análise da violência urbana, permitindo comparar indicadores entre cidades, estados e regiões do país.
Como funciona o cálculo da taxa de homicídios
A taxa de homicídios é calculada a partir da quantidade de assassinatos registrados proporcionalmente à população local. Isso significa que municípios pequenos podem aparecer entre os mais violentos mesmo com poucos casos registrados, já que a população reduzida eleva proporcionalmente o índice.
Especialistas apontam que o indicador ajuda a entender padrões regionais de violência, avanço do crime organizado, desigualdade social e desafios da segurança pública.
Norte e Nordeste concentram maior parte das cidades mais violentas
Entre os municípios com maiores taxas de homicídio do país, há predominância de cidades das regiões:
Norte e Nordeste. O Amazonas aparece com a cidade mais violenta do ranking: Barcelos, que registrou taxa de 171,8 homicídios por 100 mil habitantes.
Na sequência aparecem Cruz do Espírito Santo, na Paraíba, e Groaíras, no Ceará.

As 10 cidades mais violentas do Brasil em 2024:
Barcelos (AM) — 171,8 homicídios por 100 mil habitantes
Cruz do Espírito Santo (PB) — 169,3
Groaíras (CE) — 159,1
Barra do Rocha (BA) — 152
Caiçara do Rio do Vento (RN) — 148,9
Ribeirãozinho (MT) — 148,3
Porto de Pedras (AL) — 147,2
João Dias (RN) — 143,3
Ubatã (BA) — 142,9
Galinhos (RN) — 138,9
O levantamento completo ainda mostra municípios da Bahia, Ceará, Mato Grosso, Paraíba e Maranhão entre os estados com maior presença nas primeiras posições do ranking.
Sudeste e Sul dominam lista das cidades menos violentas:
Já entre os municípios com menores taxas de homicídio, predominam cidades de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A cidade mineira de Alfenas aparece na primeira colocação, com taxa de apenas 1,2 homicídio por 100 mil habitantes. João Monlevade, também em Minas Gerais, divide o menor índice do país.
As 10 cidades menos violentas do Brasil em 2024:
Alfenas (MG) — 1,2 homicídio por 100 mil habitantes
João Monlevade (MG) — 1,2
Itapira (SP) — 1,4
Jaraguá do Sul (SC) — 1,5
Embu-Guaçu (SP) — 1,5
Irati (PR) — 1,6
Nova Odessa (SP) — 1,6
Batatais (SP) — 1,7
Mafra (SC) — 1,8
Louveira (SP) — 1,8
Entre as grandes cidades brasileiras, São Paulo também aparece em destaque positivo, com taxa de 2,3 homicídios por 100 mil habitantes.
O que revela o Atlas da Violência:
Além de apontar os índices de homicídios, o Atlas da Violência reúne dados sobre desigualdade regional, violência contra jovens, mulheres e população negra, além de indicadores relacionados à segurança pública.
O levantamento também serve de base para formulação de políticas públicas, estratégias de combate ao crime e investimentos em prevenção da violência.
Especialistas destacam que a redução nacional da taxa de homicídios nos últimos anos pode estar relacionada a fatores como mudanças demográficas, políticas estaduais de segurança, disputas entre facções criminosas e melhorias nos sistemas de monitoramento e inteligência policial.
Estados mais e menos violentos do Brasil
O Atlas da Violência também apresenta comparativos entre os estados brasileiros, permitindo identificar quais unidades federativas possuem as maiores e menores taxas de homicídios do país.
Os dados completos, incluindo o ranking dos 5,5 mil municípios brasileiros, estão disponíveis no relatório oficial divulgado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.





