Paes acusa uso político da polícia após prisão de vereador no Rio; Cury rebate

A prisão do vereador do Rio de Janeiro Salvino Oliveira (PSD) durante uma operação da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro gerou uma forte troca de declarações entre o prefeito da capital, Eduardo Paes, e autoridades do governo estadual ligadas ao governador Cláudio Castro.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Paes afirmou que não tolera irregularidades e disse que cobrará punição caso seja comprovado qualquer envolvimento do vereador com atividades ilegais. No entanto, o prefeito também levantou suspeitas sobre possível uso político das forças policiais do estado.
“Quero deixar claro mais uma vez: eu e o governador Cláudio Castro somos muito diferentes. Eu não sou conivente com nenhum tipo de ilegalidade. Se ficar comprovado qualquer envolvimento do vereador ou de quem quer que seja, eu vou ser o primeiro a cobrar punição e exigir que a Justiça seja feita. Aqui não se passa mão em cabeça de quem faz coisa errada”, declarou Paes.
Apesar disso, o prefeito afirmou estranhar o momento da operação e voltou a criticar o que chamou de uso político das forças de segurança pelo governo estadual.
“O que não dá pra aceitar é algo que eu venho denunciando há muito tempo: o uso político das forças policiais comandadas pelo governador Cláudio Castro, e muito menos a infiltração do crime organizado na política”, afirmou.
Na gravação, Paes também mencionou casos de aliados do governo estadual que teriam sido presos em investigações recentes e criticou a postura do governador.
“O governador é omisso e conivente com aliados que se envolvem com o crime”, disse.
O prefeito afirmou ainda que a própria Prefeitura do Rio teria denunciado, em 2025, uma tentativa de interferência do crime organizado na exploração de quiosques no bairro Gardênia Azul. Segundo ele, a denúncia foi feita por autoridades municipais à Polícia Civil e comunicada ao governo do estado e ao Ministério Público.
Sobre o vereador preso, Paes destacou a origem humilde de Salvino Oliveira e disse que ele nunca teria feito pedidos relacionados ao tema investigado.
“Salvino Oliveira é um jovem vereador eleito, com origem simples, nascido na Cidade de Deus, que nunca me fez qualquer pedido em relação a esses quiosques”, declarou.
Ao final do pronunciamento, o prefeito reiterou que apoia a investigação, desde que ela ocorra com independência.
“Se a polícia comprovar a ligação do vereador Salvino com qualquer um desses delinquentes, eu vou ser o primeiro a condenar”, afirmou.
Polícia Civil rebate acusações de motivação política
As declarações do prefeito foram respondidas pelo secretário de Polícia Civil do estado, o delegado Felipe Cury, que afirmou que a investigação seguiu todos os trâmites legais e não possui qualquer motivação política.
Segundo Cury, a apuração começou ainda em 2024 e passou por diferentes instâncias antes da execução dos mandados.
“A investigação que levou à prisão do vereador Salvino começou em 15 de outubro de 2024. A representação pela prisão foi feita no dia 1º de janeiro de 2026. O Ministério Público analisou e deu parecer favorável pela prisão no dia 21 de janeiro de 2026. O Poder Judiciário autorizou os mandados no dia 27 de fevereiro de 2026 e eles foram expedidos efetivamente no dia 3 de março de 2026”, afirmou.
O delegado destacou que a decisão não foi política, mas judicial.
“Ou seja, a análise da prisão passou por três esferas diferentes e independentes: a Polícia Civil, o Ministério Público e o Poder Judiciário. Não é decisão de governo, é uma decisão da Justiça.”
Cury também ressaltou que a própria operação atingiu integrantes das forças de segurança.
“Existe uma prova ainda mais clara de que essa investigação é séria e não tem qualquer lado político. Ela cortou na própria carne do Estado. Nessa operação, seis policiais militares foram presos, inclusive dois oficiais.”
O secretário concluiu dizendo que a polícia atua com base nas provas reunidas durante as investigações.
“A polícia não escolhe alvo por posição política, por grupo ou por conveniência. Se durante uma investigação aparecem provas de crime, a polícia faz o que a lei manda: investiga, pede a prisão à Justiça e prende.”
Caso segue sob investigação
A operação que resultou na prisão do vereador Salvino Oliveira segue em andamento, e o caso deve continuar sendo analisado pela Justiça e pelo Ministério Público.
Enquanto isso, o episódio ampliou a tensão política entre a Prefeitura do Rio e o Governo do Estado, em meio ao debate sobre segurança pública e o combate ao crime organizado no Rio de Janeiro.





